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terça-feira, 26 de abril de 2016

UM DIA QUALQUER...

Um dia único porque todos os dias são únicos.

Um dia para se juntar aos outros, contar tempo, seguir em frente.

Um momento especial para revirar a gaveta dos sonhos,

Para redesenhar caminhos...

Pegar o jogo de canetas coloridas e fazer traços de várias cores, tentar o novo, ousar.

Um dia único para novos sonhos.

Toda a manhã existe a oportunidade de mudar os traços do desenho, mudar a cor, abrir novas ruas, alterar a paisagem.

A caixa de lápis de cor tem todas as cores do universo, basta querer inovar e fazer a mistura de cores.

Misturando, misturando descobrimos a tonalidade ideal da vida, dos sonhos.   


A vida é uma mistura de cores, cada dia, cada manhã a caixa de lápis está à espera é só tentar.




Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PARTE DE MIM MORA LONGE...


O tempo marca a distância, difícil é apagar as pegadas que o caminho desenhou... Ficaram cravadas na terra da vida, nos sonhos, nas palavras não pronunciadas, no tempo.

Renovar é sempre possível a cada amanhecer, a cada movimento, no abrir e fechar de uma porta, no balançar provocado pelo vento.

Sempre é possível mudar o caminho, a paisagem, novos sonhos.

Sempre é possível um novo olhar. 



Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

SOBRE A PASSAGEM DA VIDA...



Tem coisas difíceis de entender...

Por vezes me deparo com cenas vividas e não sentidas.

Cenas inteiras e reais que ficaram guardadas no livro dos sonhos e ao rever chego a sentir o sabor do vento, ouvir os sorrisos, os sons...

É uma mistura de saudade e ausência do que nunca existiu, mas foi concreto, foi real.

Como encarar a passagem do tempo se durante a jornada uma luz se apagou e o escuro impediu a visão do caminho...

A jornada seguiu e foi como estar sentada à beira da estrada da vida observando vultos, seguindo caminhos estranhos.

Mas existe o livro dos sonhos... Ele pode ser folhado a qualquer momento e quando as cenas reais acontecem e surgem no caminho, como hoje surgiu, são para lembrar que os sonhos não foram em vão eles estão aí acontecendo todos os dias e de alguma forma eles são reais e fazem parte da minha viagem.




Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

domingo, 29 de novembro de 2015

SOMOS...

Um pouco de CHUVA, um pouco de SOL, 

um pouco de medo e a coragem de enfrentar o desconhecido.

Somos a força do dia a dia, 

a incerteza da curva do caminho e a plenitude de uma visão ampla e total.

Somos a LUZ e a ESCURIDÃO... Momentos de PAZ e a euforia desatinada.

Somos a atitude e a renuncia. A decisão e a incerteza.

Somos um pouco de cada história que encontramos no caminho. Com cada uma delas aprendemos. Cada uma delas contribui para o nosso aprendizado.

Somos tudo aquilo com que nos sensibilizamos e com que nos indignamos durante a jornada.


Um caminho em construção... sempre.






Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

domingo, 8 de novembro de 2015

CECÍLIA MEIRELES

NASCEU EM 07 DE NOVEMBRO DE 1901 E FALECEU EM 09 DE NOVEMBRO DE 1964.

Poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa
(Dados do Wikipédia)


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.







Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

domingo, 11 de outubro de 2015

SE APAIXONE

Assim de pronto.

Ou devagar... lentamente...

Se apaixone por um olhar, por um gesto, por um cheiro.

Pelo sabor do vento, pela chuva, pelo balançar das árvores molhadas.

Pela sensação de se estar feliz.

Se apaixone pelas lembranças, pelos sonhos, pelos mistérios do mar...

Pelos vários tons de azul do céu.

Pelo amanhecer e pelos segredos da noite.

Se apaixone tão somente por ser.




Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A VIDA CONTANDO HISTÓRIAS...


Uma manhã comum, serena, onde tudo parecia ter o rumo certo, mas...

Tudo desabou como uma tempestade sem fim.

A partir daquela manhã tudo seria diferente, modificado.

A paisagem, as pessoas, os sonhos, os objetivos, tudo alterado.

As cores mudaram de tom e os caminhos se perderam, se desencontraram.

O olhar mudou.  Formou-se uma parede enorme impedindo de enxergar adiante.

Tudo parou... Como se estivesse à espera de um alento, um amparo um som que salvasse,
uma palavra, algo ou alguém que acolhesse, mas tudo parou.

Somente vozes... Sons desencontrados, ruídos, palavras ditas ao vento, sons tristes, lamentos.

Tudo seguiu sem ter um rumo certo, sem certeza, sem direção, apenas seguiu com a ajuda do vento e a mão do tempo.






Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

EU SEMPRE ESTAREI AQUI...


Independente de tudo: da cor do céu; da força do vento; do brilho das estrelas; de tudo... Sempre estarei aqui.

Livre de qualquer obstáculo; de qualquer porque; livre até de um momento; de qualquer som... Estarei presente.

Sem tempo, sem dúvidas... Simplesmente.






Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida.

domingo, 21 de junho de 2015

SURPRESAS DA VIDA

Estou pensando nas surpresas da vida...  Num dar e receber sem conta... Nos momentos eternos, pois a vida é feita de momentos transformados em lembranças.

Estou aqui pensando em como esses momentos são fortes, deixam marcas, contam histórias.

E as histórias sempre são contadas da forma como entraram na nossa vida, como se alojaram em nossa alma.

Cada momento da minha vida, cada fato acontecido, tocaram a minha alma de uma forma única, viraram história, que quando contada expressa exatamente o tamanho que ocupa em mim. Pode até ter ocupado um tempo pequeno, mas o tempo real está gravado na história da minha vida. 


Cada dia uma surpresa, nem sempre boa, assim são as surpresas da vida, ensinamentos diários que o viver nos proporciona. Brindes para o nosso aprendizado.



Elcia Maria dos Santos - Uma observadora da vida

segunda-feira, 27 de abril de 2015

OS FLAMBOYANTS – RUBEM ALVES

A manhã estava linda: céu azul, ventinho fresco. Infelizmente, muitas obrigações me aguardavam. Coisas que eu tinha de fazer. Aí, lembrei-me do menino-filósofo chamado Nietzsche que dizia que ficar em casa estudando, quando tudo é lindo lá fora, é uma evidência de estupidez. Mandei as obrigações às favas e fui caminhar na lagoa do Taquaral.

Bem, não fui mesmo caminhar. Meu desejo não era médico, caminhar para combater o colesterol. Caminhar, para mim, é uma desculpa para ver, para cheirar, para ouvir... Caminho para levar meus sentidos a dar um passeio. Tanta coisa: os patos, os gansos, os eucaliptos, as libélulas, a brisa  acarinhando a pele – os pensamentos esquecidos dos deveres. Sem pensar, porque, como disse Caeiro, “pensar é estar doente dos olhos”. Aí, quando já me preparava para ir embora, já no carro, vejo um amigo. Paramos. Papeamos. Ele, com uma máquina fotográfica. Andava por lá, fotografando. Não tenho autorização para dizer o nome dele. Vou chama-lo de Romeu, aquele que  amava Julieta. Me confidenciou: “Vou fazer um álbum de fotografias de flamboyants para ela... Você não quer vir até a nossa casa para tomar um cafezinho?”

Fui. Mas ele me advertiu: “Não diga nada para ela. É surpresa...” Esta história tem sua continuação um pouco abaixo. Recomeço em outro lugar.

As crianças da 3ª série do Parthenon, escola inda, me convidaram para uma visita. Elas tinham estado fazendo um trabalho sobre um livrinho que escrevi. O gambá Que Não Sabia Sorrir. Queriam me mostrar. Foi uma gostosura. É uma felicidade sentir-se amado pelas crianças. Eu me senti feliz. Aí aconteceu uma coisa que não estava no programa. Uma menininha, na hora das perguntas, disse que ela havia lido a minha crônica Se Eu Tiver Apenas Um Ano a Mais de Vida...

Espantei-me ao saber que uma menina de nove anos lia minhas crônicas. Lia e gostava. Lia e entendia. Aí ela acrescentou “Recortei a crônica e trouxe para a professora...” Confirmou-se aquilo de que eu sempre suspeitara: as crianças são mais sábias que os adultos. Porque o fato é que muitos adultos ficaram espantados e não quiseram brincar de fazer contas que eles tinham apenas um ano a mais para viver. Ficaram com medo. Acharam mórbido.

As crianças, inconscientemente, sabem que a vida é coisa muito frágil, feito uma bolha de sabão. Minha filha Raquel tinha apenas dois anos. Eram seis horas da manhã. Eu estava dormindo. Ela saiu da caminha dela e veio me acordar. Veio me acordar porque ela estava lutando com uma ideia que a fazia sofrer. Sacudiu-me, eu acordei, sorri para ela, e ela me disse: “Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?” Eu fiquei pasmo, sem saber o que dizer. Mas aí ela me salvou: “Não chore porque eu vou abraçar você...”

As crianças sabem que a vida é marcada por perdas. As pessoas morrem, partem. Partindo, devem sentir saudades – porque a vida é tão boa! Por isso, o que nos resta fazer é abraçar o que amamos enquanto a bolha não estoura.

Os adultos não sabem disso porque foram educados. Um dos objetivos da educação é fazer-nos esquecer da morte. Você conhece alguma escola em que se fale sobre a morte com os alunos? É preciso esquecer  da morte para levar a sério os deveres. Esquecidos da morte, a bolha de sabão vira esfera de aço. Inconscientes  da morte aceitamos como naturais as cargas de repressão, sofrimento e frustação que a realidade social nos impõe. Quem sabe que a vida é bolha de sabão passa a desconfiar dos deveres. É como disse, Walt  Whitmann, “quem anda duzentos metros sem vontade, anda seguindo o próprio funeral, vestindo a própria mortalha”.

O pessoal da poesia está levando a sério a brincadeira. Eu mesmo já fiz vários cortes drásticos em compromissos que assumi. Eram esferas de aço. Transformei-os em bolhas de sabão e os estourei. Pois o pessoal da poesia decidiu que, no programa de um ano de vida apenas, num dos nossos encontros não haveria leitura de poesia: haveria brinquedos e brincadeiras. Cada um trataria de desenterrar os brinquedos que os deveres haviam enterrado.

Obedeci. Abri o meu baú de brinquedos. Piões, corrupios, bilboquês, iô-iôs  e uma infinidade de outros brinquedos que não tem nome. Seria indigno que eu levasse piões e não soubesse rodá-los. Peguei um pião e uma fieira e fui praticar. Estava rodando o pião no meu jardim quando um cliente chegou. Olhou-me espantado. Ele não imaginava que psicanalistas rodassem piões. Psicanalista é pessoa séria, ser do dever. Pião é coisa de criança, ser do prazer.

Acho que meus colegas psicanalistas concordariam com o meu paciente. A teoria diz que um cliente nada deve saber da vida do psicanalista. O psicanalista deve ser apenas um espaço vazio, tela onde o paciente projeta suas identificações. Mas a minha vocação é a heresia. Ando na direção contrária. “Você sabe rodar piões?” eu perguntei. Ele não sabia. Acho que ficou com inveja. A sessão de terapia foi sobre isso. E ele me disse que um dos meus maiores problemas era o medo do ridículo. Crianças são ridículas. Adultos não são ridículos. Aí conversamos sobre uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado: que, talvez, uma das funções da terapia seja fazer com que as pessoas não tenham medo das coisas que os “outros” definem como ridículo. Quem não tem medo do ridículo está livre do olhar dos outros.

Preparei o encontro de poesia de um jeito diferente. Nada de sopas sofisticadas. Fui procurar macarrão de letrinha, coisa de criança. Não encontrei. Encontrei estrelinhas. Fiz sopa de estrelinhas. E toda festa de criança tem de ter cachorro-quente. Fiz molho de cachorro-quente. E nada de vinho. Criança não gosta de vinho. Gosta de guaraná.

Foi uma alegria, todo mundo brincando: iô-iôs, piões, corrupios, bilboquês, quebra-cabeças, pererecas (aquelas bolas coloridas na ponta de um elástico)... Rimos a mais não poder. Todo mundo ficou leve. Aí tive uma ideia que muito me divertiu: que na sala de visitas das casas houvesse um baú de brinquedos. Quando a conversa fica chata, a gente abre o baú de brinquedos e faz o convite: “Não gostaria de brincar com corrupio?” E a gente começa a brincar com o corrupio e a rir. A visita fica pasma. Não entende. “Quem sabe, ao invés do corrupio, um bilboquê? E a gente brinca com o bilboquê. Aí a gente estende o brinquedo para a visita e diz: “Por favor, nada de  acanhamentos! Experimente. Você vai gostar...” São duas as possibilidades. Primeira: a visita brinca e gosta e dá risadas. Segunda: ela acha que somos ridículos e trata de se despedir para nunca mais voltar...

Pois a Julieta – aquela do Romeu – me trouxe uma pipa de presente. Vou empinar a pipa em algum gramado da Unicamp. E aí ela nos contou da surpresa que lhe fizera o Romeu. Fotografias de Flamboyants vermelhos – que coisa mais romântica! Árvores em chamas, incendiadas! Cada apaixonado é um flamboyant vermelho! E nos contou das coisas que o Romeu tivera que fazer para que ela não descobrisse o que ele estava preparando.

Mas o mais bonito foi o que ele lhe disse, na entrega do presente. Não sei se foi isso mesmo que ele disse. Sei que foi mais ou menos assim: “Sabe, Julieta, aquela história de ter um ano apenas a mais para viver... Pensei que você gostava de flamboyants e que você ficaria feliz com um álbum de flamboyants. E concluí que, se eu tiver um ano apenas a mais para viver, o que quero é fazer as coisas que farão você feliz...”

Um ano apenas a mais para viver: aí os sentimentos se tornam puros. As palavras devem ser ditas, devem ser ditas agora. Os atos que devem ser feitos, devem ser feitos agora. Quem acha que vai viver muito tempo fica deixando tudo para depois. A vida ainda não começou. Vai começar depois da construção da casa, depois da educação dos filhos, depois da segurança financeira, depois da aposentadoria...

As flores dos flamboyants, dentro de poucos dias, terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando.


O texto acima foi extraído do jornal “Correio Popular”, de Campinas (SP).





Elcia Maria dos Santos - Uma Observadora da Vida.